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Pequena Hipótese sobre as Origens da Maçonaria
A Maçonaria e’ uma escola de filosofia de
vida, de conduta humana, especialmente de moral.
Como tal, inquirir sobre a origem da Maçonaria
significa pesquisar sobre a origem da filosofia.
As perguntas filosóficas: quem somos, de onde
viemos, para onde vamos, o que e’ a vida, são
muito antigas e fazem parte dos pensamentos do
homem primitivo.
As primeiras respostas a estas indagações foram
respostas muito primitivas, baseadas em
superstições, lendas, mitos e religião
primitiva. Os primeiros que chegaram a respostas
mais bem elaboradas, isto e’, respostas
filosóficas, tradicionalmente se sabe, foram os
gregos no século 6 o a.C. Será isto verdade ?
Muito tempo antes, os egípcios, no antigo Egito,
viveram desfrutando de alta tecnologia:
conheciam a tecnologia das grandes construções
(o início da construção da grande pirâmide de
Guizé, pelo faraó Quéops, é de 2590 a.C.; a
pirâmide dos degraus do rei Zoser, em Saqqara, o
primeiro monumento do Egito construído em pedra
trabalhada é de 2685 a.C.), conheciam astronomia
(há dados astronômicos de 3045 a.C.), matemática
(da época das grandes pirâmides), agricultura
(há planejamento de plantio de 2950 a.C.), etc.
Usavam no seu dia a dia tecnologias que, na
época, eram muito superiores às existentes. Na
época, não se questionou quem somos, de onde
viemos e outras indagações filosóficas ?
Certamente que sim.
Pelo que se sabe hoje, as respostas a estas
perguntas filosóficas, no Egito Antigo, eram de
conhecimento secreto e não revelado ao mundo, ao
contrário do que fizeram os gregos e seus
filósofos vários séculos depois. Quem, no Antigo
Egito, respondia questões filosóficas, em
segredo, era a classe dos sacerdotes (há
informações sobre rituais na época do rei Menés,
c. 3100 a.C.). Havia, constituída, uma Ordem
Secreta do Clero.
Os sacerdotes egípcios estudavam filosofia e
praticavam filosofia de vida, através de
símbolos: vários símbolos tinham significados
abstratos, principalmente através dos deuses
representados por seres parte humanos, parte
animais. Estas lendas simbólicas eram cultuadas
em rituais secretos (o uso da vela em rituais
egípcios é de c. 3500 a.C.).
O egiptólogo francês Dr. Christian Jacq (nascido
em 1947), nosso Irmão da Grande Loja Nacional
Francesa, cientista conhecido e respeitado
internacionalmente, traduziu (e continua
traduzindo) hieróglifos de rituais destas
sessões secretas. A semelhança com a Maçonaria é
algo impressionante. São rituais com 4000 a 5000
anos de existência mas, para nós maçons,são
muito atuais. (Chistian Jacq publicou vários
livros, dez deles traduzidos para o português e
editados pela editora Bertrand do Brasil. Há
livros cujos títulos nos são muito familiares,
como A Pedra da Luz, A construção do Templo de
milhões de anos, Sob a Acácia do Ocidente,
etc.). Christian Jacq, em seu livros, não fala
claramente sobre maçonaria. Mas divulga, nas
Lojas francesas, estas “coincidências”.
Os sacerdotes egípcios trabalhavam em suas
sessões, em três graus simbólicos, com lendas
simbólicas que levavam ao estudo da moral e das
virtudes. Cultuavam a verdade. Tinham
envolvimento direto com a casa real e com os
faraós, que os consultavam para solução de
grandes problemas. Consideravam os faraós os
Grandes Mestres e os obrigavam, através de
promessas solenes, a cultuar a verdade. Suas
sessões eram secretas, semanais e os sacerdotes
se reconheciam por sinais e palavras. Havia
também lendas sobre a morte, e isto era um bom
motivo para se estudar filosofia. Acreditavam em
vida após a morte. Preparavam o féretro do
faraó. Isto era maçonaria ? Difícil afirmar
algo. Talvez seja mais próprio dizer que estas
sociedades tiveram sua influência na maçonaria
atual.
Importante é falar sobre o faraó Amenófis IV ou
Amenhotep IV, que toma o nome de Akenaton ou
Ikhnaton (1364- 1347 a.C.) esposo da rainha
Nefertiti ou Nefretete. (O famoso busto de
Nefertiti está no museu de Berlim). Akenaton
procurou re-organizar a Ordem dos Sacerdotes,
regularizando-a, e ditando normas e preceitos. A
historia se repetiu em 1723, quando a Grande
Loja Unida da Inglaterra regularizou a
maçonaria, através dos Landmarks coligidos por
Albert G. Mackey. Akenaton instituiu algo como
Landmarks, propondo um único deus-sol, Aton, a
quem chamou Grande Arquiteto, pois construiu
sozinho todo o Universo. Na verdade, a mãe de
Akenaton, a rainha Tiya, esposa por 30 anos de
Amenófis III, venerava o deus-sol Aton, mais que
o então deus oficial Amon. O ideograma de Aton é
um olho inserido num triângulo e seu hieróglifo
representa um olho em que o círculo evoca o íris
e o ponto central a pupila. Aton deus-sol é o
olho que tudo vê. (Não nos parece familiar ?).
Akenaton cultuou o deus-sol, simbolizado pelo
disco solar Aton, sol, origem da vida. Akenaton
em língua egípcia antiga, quer dizer Aton está
satisfeito. Akenaton fundou uma capital, a
cidade de Aketaton (ou Amarna) em cuja estela se
lê a fala do deus-sol Aton: “Eu contruirei
Aketaton, onde reinará Akenaton, o grande
mestre, no Oriente, onde nasce o sol...” (Não
nos parece familiar ?). Akenaton foi sucedido
por Tutancâmon (1347- 1338 a.C.). Sob o reinado
de Tutancâmon a Ordem dos Sacerdotes se cindiu,
tornado-a “irregular” por não aceitar todas as
normas e preceitos (os Landmarks de Akenaton).
Akenaton e Tutancâmon pertenceram à XVIII
dinastia (1552-1306). A historia, mais uma vez,
se repetiu, com as cisões da maçonaria regular
no século XVIII.
Dez séculos depois, as histórias se repetiriam,
também, na Grécia. A mitologia grega e as
histórias sobre os deuses do Olimpo, hoje, pode
parecer uma hilariante comédia. Isto era
considerado religião. Na verdade, toda mitologia
grega, histórias fantásticas e lendas heróicas
são maneiras simbólicas de estudar filosofia,
especialmente moral. A grande diferença entre os
gregos e os antigos egípcios, e’ que os gregos
faziam tudo isto abertamente. As lendas,
histórias e mitologias eram outras, mas o
sentido e a moral era aproximadamente a mesma.
Indaga-se: isto foi o inicio da maçonaria ?
Ninguém sabe, mas, certamente, os antigos
egípcios e os filósofos gregos influenciaram, e
muito, a maçonaria moderna.
Ir.'. Walter Celso de Lima - A.'.M.'. -
A.'.R.'.L.'.S.'. União Brasileira n o 2085
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