
Os Landmarks
Albert
Gallatin Mackey (1807-1881) foi um conhecido
Médico e Escritor Maçônico, é também o
responsável pela Enciclopédia da Maçonaria
(1845).
A primeira vez em que se fez menção à palavra
Landmark em Maçonaria foi nos Regulamentos
Gerais compilados em 1720 por George Payne,
durante o seu segundo mandato como Grão-Mestre
da Grande Loja de Londres, e adotados em 1721,
como lei orgânica e terceira parte integrante
das Constituições dos Maçons Livres, a conhecida
Constituição de Anderson, que, em sua prescrição
39, assim, estabelecia:
"XXXIX - Cada Grande Loja anual tem inerente
poder e autoridade para modificar este
Regulamento ou redigir um novo em benefício
desta Fraternidade, contanto que sejam mantidos
invariáveis os antigos Landmarks..."
Os Landmarks, que podem ser considerados
"constituição maçônica não escrita", longe de
ser uma questão pacífica, se constituem numa das
mais controvertidas demandas da Maçonaria, um
problema de difícil solução para a Maçonaria
Especulativa. Há grandes divergências entre os
estudiosos e pesquisadores maçônicos acerca das
definições e nomenclatura dos Landmarks. Existem
várias e várias classificações de Landmarks,
cada uma com um número variado deles, que vai de
3 até 54.
Virgilio A. Lasca, em "Princípios Fundamentales
de la Orden e los Verdaderos Landmarks", citado
por Nicola Aslan em "Landmarques e Outros
Problemas Maçônicos", dá a seguinte relação de
compilações de "Landmarks":
3, para Alexander S. Bacon e Chetwode Crawley;
6, para a Grande Loja de Nova York, que toma por
base os capítulos em que se dividem as
Constituições de Anderson;
7, para Roscoe Pound, a Grande Loja da Virgínia
e o cubano Carlos F. Betancourt;
9, para J. G. Findel;
10, para a Grande Loja de Nova Jersey;
12, para A. S. Mac Bride;
15, para John W. simons e para a Grande Loja de
Tennessee;
17, para Robert Morris;
19, para Luke A. Lockwood e a Grande Loja de
Connecticut;
20, para a Grande Loja Ocidental de Colômbia,
com sede em Cali;
25, para Albert Galletin Mackey e Chalmers I.
Paton e ainda a Grande Loja de Massachussets, a
qual, embora só admitindo 8 Landmarks, estes são
iguais àqueles enunciados por Mackey;
26, para a Grande Loja de Minnesota;
29, para Henrique Lecerff;
31, para o Dr. Oliver;
54, para H. G. Grant e para a Grande Loja de
Kentucky.
As Potências Maçônicas latino-americanas, via de
regra, adotam a classificação de vinte e cinco
Landmarks compilada por ALBERT G. MACKEY.
Os Landmarks
de
Albert Galletin Mackey
I - Os processos de
reconhecimento são os mais legítimos e
inquestionáveis de todos os Landmarks. Não
admitem mudança de qualquer espécie; desde que
isso se deu, funestas conseqüências posteriores
vieram demonstrar o erro cometido.
II - A divisão da Maçonaria Simbólica em
três graus - Aprendiz, Companheiro e Mestre - é
um Landmark que, mais que qualquer outro, tem
sido preservado de alterações apesar dos
esforços feitos pelo daninho espírito inovador.
III - A lenda do terceiro grau é um
Landmark importante, cuja integridade tem sido
respeitada. Nenhum rito existe na Maçonaria, em
qualquer país ou em qualquer idioma, em que não
sejam expostos os elementos essenciais dessa
lenda. As fórmulas escritas podem variar, e na
verdade variam; a lenda do Construtor do Templo
de Salomão, porém, permanece em essência.
Qualquer rito que a excluir ou a altere
substancialmente, deixará de ser um Rito
Maçônico.
IV - O Governo da Fraternidade por um
Oficial que é seu presidente, denominado
Grão-Mestre, eleito pelo povo maçônico, é o
quarto Landmark da Ordem Maçônica. Muitos pensam
que a eleição do Grão-Mestre se pratica por ser
estabelecida em lei ou regulamento, mas nos
anais da Instituição, escontram-se Grão-Mestres
muito antes de existirem Grandes Lojas, e se
todos os Regulamentos e Constituições fosse
abolidos, sempre seria mister a existência de um
Grão-Mestre.
V - A prerrogativa do Grão-Mestre de
presidir todas as reuniões maçônicas, feitas
onde e quando se fizerem, é o quinto Landmark. É
em virtude dessa lei, de antiga usança e
tradição, que o Grão-Mestre ocupa o Trono e
preside todas as sessões da Grande Loja, assim
como quando se ache presente à sessão de
qualquer Loja subordinada à autoridade maçônica
de sua obediência.
VI - A prerrogativa do Grão-Mestre de
conceder licença para conferir graus em tempos
anormais, é outro importantíssimo Landmark. Os
estatutos e leis maçônicas exigem prazos, que
devem transcorrer entre a proposta e a recepção
do candidato, porém o Grão-Mestre tem o direito
de dispensar esta ou qualquer exigência, e
permitir a Iniciação, a Elevação ou Exaltação
imediata.
VII - A prerrogativa que tem o
Grão-Mestre de dar autorização para fundar e
manter Lojas, é outro importante Landmark. Em
virtude dele, o Grão-Mestre pode conceder a um
número suficiente de Mestres-Maçons o privilégio
de se eunir e conferir graus. As Lojas assim
constituídas chamam-se "Lojas Licenciadas".
Criadas pelo Grão-Mestre só existem enquanto ele
não resolva o contrário, podendo ser dissolvidas
por ato seu. Podem viver um dia, um mês ou seis.
Qualquer que seja, porém, o prazo de sua
existência, exclusivamente ao Grão-Mestre a
deve.
VIII - A prerrogativa do Grão-Mestre de
criar Maçons por sua deliberação é outro
Landmark importante. O Grão-Mestre convoca em
seu auxílio seis outros Mestres-Maçons, pelo
menos, forma uma Loja e sem uma forma prévia
confere os graus aos candidatos, findo o que,
dissolve a Loja e despede os Irmãos. As Lojas
asssim convocadas por este meio são chamadas
"Lojas de Emergência" ou "Lojas Ocasionais".
IX - A necessidade de se congregarem os
Maçons em Lojas é outro Landmark. Os Landmarks
da Ordem prescrevem sempre que os Maçons
deveriam congregar-se com o fim de entregar-se a
tarefas operativas e que às suas reuniões fosse
dado o nome de "Lojas". Antigamente, eram estas
reuniões extemporâneas, convocadas para assuntos
especiais e logo dissolvidas, separando-se os
Irmãos para de novo se reunirem em outros pontos
e em outras épocas, conforme as necessidades e
as circunstâncias exigissem. Cartas
Constitutivas, Regulamentos Internos, Lojas e
Oficinas permanentes e contribuições anuais são
inovações puramente moderna de um período
relativamente recente.
X - O Governo da Fraternidade, quando
congregada em Loja, por um Venerável e dois
Vigilantes é um outro Landmark. Qualquer reunião
de Maçons congregados sob qualquer outra
direção, como, por exemplo, um presidente e dois
vice-presidentes, não seria reconhecida como
Loja. A presença de um Venerável e dois
Vigilantes é tão essencial para a validade e
legalidade de uma Loja que, no dia de sua
consagração, é considerada como uma Carta
Constitutiva.
XI - A necessidade de estar uma Loja a
coberto, quando reunida, é outro importante
Landmark que não deve ser descurado. O cargo de
Guarda do Templo, que vela para que o local da
reunião seja absolutamente vedado à intromissão
de profanos, independe, pois, de qualquer
Regulamento ou Constituição.
XII - O direito representativo de cada
Irmão nas reuniões da Fraternidade, é outro
Landmark. Nas reuniões gerais, outrora chamadas
"Assembléias Gerais", todos os Irmãos, mesmo os
Aprendizes, tinham o direito de tomar parte. Nas
Grandes Lojas, hoje, só tem direito de
assistência os Veneráveis e Vigilantes, na
qualidade, porém, de representantes de todos os
Irmãos das Lojas. Antigamente, cada Irmão se
auto-representava. Hoje são representados pelas
Luzes de sua Loja. Nem por motivo dessa
concessão, feita em 1817, deixa de existir o
direito de representação firmado por este
Landmark.
XIII - O direito de recurso de cada Maçon
das decisões de sua Loja para a Grande Loja, ou
Assembléia Geral dos Irmãos, é um Landmark
essencial para a preservação da Justiça e para
previnir a opressão.
XIV - O direito de todo Maçom visitar e
tomar assento em qualquer Loja é um
inquestionável Landmark da Ordem. É o consagrado
"Direito de Visitação", reconhecido e votado
universalmente a todos os Irmãos que viajam pelo
orbe terrestre. É a conseqüência do modo de
encarar as Lojas como meras divisões da família
maçônica.
XV - Nenhum Irmão desconhecido dos Irmãos
da Loja pode a ela ter acesso como visitante sem
que primeiro seja examinado, conforme os antigos
costumes, e como tal reconhecido. Este exame
somente pode ser dispensado se o Irmão visitante
for conhecido por algum Irmão da Loja, o qual
por ele será responsável.
XVI - Nenhuma Loja pode intrometer-se em
assunto que diga respeito a outra, nem conferir
graus a Irmãos de outros Quadros.
XVII - Todo Maçom está sujeito às leis e
aos regulamentos da jurisdição maçônica em que
residir, mesmo não sendo, aí, obreiro de
qualquer Loja.
A inafiliação constitui, por si própria, uma
falta maçônica.
XVIII - Por este Landmark, os cadidatos à
Iniciação devem ser isentos de defeitos ou
mutilações, livres de nascimento e maiores. Uma
mulher, um aleijado ou um escravo não podem
ingressar na Fraternidade.
XIX - A crença no GRANDE ARQUITETO DO
UNIVERSO é um dos mais importantes Landmarks da
Ordem. A negação dessa crença é impedimento
absoluto e irremovível para a Iniciação.
XX - Subsidiariamente à crença em um ENTE
SUPREMO, é exigida, para a Iniciação, a crença
numa vida futura.
XXI - Em Loja, é indispensável a
presença, no Altar, de um LIVRO DA LEI, no qual
supõe-se, conforme a crença, estar contida a
vontade do Grande Arquiteto do Universo. Não
cuidando a Maçonaria de intervir nas
peculiaridades da fé religiosa dos seus membros,
o "Livro da Lei" pode variar conforme o credo.
Exige, por isso, este Landmark que um "Livro da
Lei" seja par indispensável das alfaias de uma
Loja Maçônica.
XXII - Todos os Maçons são absolutamente
iguais dentro da Loja, sem distinção de
prerrogativas profanas, de privilégios que a
sociedade confere.
A Maçonaria a todos nivela nas reuniões
maçônicas.
XXIII - Este Landmark prescreve a
conservação secreta dos conhecimentos havidos
pela Iniciação, tanto os métodos de trabalho
como suas lendas e tradições, que só devem ser
comunicados a outros Irmãos.
XXIV - A fundação de uma ciência
especulativa, segundo métodos operativos e uso
do simbolismo e a explicação dos ditos métodos e
dos termos neles empregados com o propósito de
ensinamento moral, constitui outro Landmark.
A preservação da Lenda do Templo de Salomão é
outro fundamento deste Landmark.
XXV - O último Landmark é o que afirma a
inalterabilidade dos anteriores, nada lhes
podendo ser acrescido ou retirado, nenhuma
modificação podendo ser-lhes introduzida. Assim
como de nossos antecessores os recebemos, assim
os devemos transmitir aos nossos sucessores -
Nolumus est leges mutari.
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